De todos estes dias tantas e tantas coisas que senti, que vivi, tantas coisas quis parar no tempo!
As “férias” começaram com a ida ao país vizinho. Caminhando, caminhando, entre montanhas, nos vales, no cimo das montanhas, bem pertinho do céu, no lado espanhol dos Pirinéus.
Numa dessas caminhadas deparei-me com uma paisagem maravilhosa e gritei:
AQUI VOU SER FELIZ!!!
Vinha mais atrás a acompanhar quem não conseguia acompanhar o passo normal, e digo que até me agrada vir atrás, dando força a quem não se acha capaz, tenho mais tempo para respirar o ar doce e bonito, tenho mais tempo para registar raízes, flores, bichos… tenho mais tempo para criar laços, para me demorar em mim e absorver tudo o que mundo tem de bom.
Foi também altura de concretizar o que tinha pensado há uns tempos em Lisboa, abandonar a vida, em agrupamento, nos escuteiros, Tenho pena de não saber onde tenho o meu testemunho dos anos que lá passei desde 1993. Escrevi-o umas três vezes porque não sabia do papel e agora voltei a perdê-lo, mas sei exactamente como acabava.
“Nos escuteiros perdi o medo de ser feliz. Obrigada!”
Foi um dia bem estranho, só me lembrava de todos os sítios em que tinha estado, do que tinha vivido, e do que sou hoje, tanto e tanto por causa dos escuteiros.
Passei a tarde e a noite a chorar, e foi de lágrimas de felicidade e já de saudade, que recebi, numa igreja do século X, a tenda, a palavra, o pão que alimenta e a vara bifurcada….
Foi um momento muito bonito ao ouvir as palavras de quem caminhou comigo e os desejos para anos futuros.
Sei que não perco a alma de escuteira… E tenho a certeza que continuarei a fazer parte desta grande família que começou já lá vão 100 anos.
E é ter a certeza que mais importante que chegar é partir. Estou Diferente ser uma cidadã do mundo, com a certeza de nunca esquecer o próximo.
Foi chegar e voltar a partir. Uma semana que já tinha começado sem nós.
Chegámos e foi muito bom sentir que iria ser uma semana voltada para o outro. Recordo com um sorriso quando chegámos e alguém disse:
“Não digam precisamos de… Porque em alguns minutos isso estará aqui.”
Lembrei-me daquela passagem em que diz: “Pede e te será dado. “
Foi sentir Jesus longe… mas a vir até mim aos poucos. Foi falar dele às crianças toda a semana e olhar o céu estrelado, e ensinar que as estrelas são boas acções que os homens fazem.
Foi ir para longe para criar laços com quem sempre esteve perto. Para criar laços com Jesus e com os irmãos que são da mesma paroquia.
Foi ganhar imensos amigos de palmo e meio, e com eles cantar a Jesus!
É com muita pena minha que vejo que não me consigo ligar aos mais velhos, àqueles que já viveram mais, e que por isso mesmo sabem mais. E têm tanto para ensinar e tanto para contar e por vezes ninguém para ouvir!
Foi maravilhoso quando depois combinámos um lanche de despedida e fiz um bolo com a minha I. (de quem fiquei ainda mais próxima, e sabe tão bem esta cumplicidade :) ), e depois foi ver a “nossa casa” a encher, e a ver pessoas tão queridas, que visitámos e que há já algum tempo não saiam de casa a irem visitar-nos. Fui a casa da D. Mariana, parecia que estava à espera que alguém a fosse buscar, sentei-me um pouco à conversa e depois juntas entramos na festa do amor, sorrisos abraços em toda a parte. Foi ver o Sr. Olímpio a chegar e D. Luísa também, não contive as lágrimas é realmente muito bonito, bom, maravilhoso e delicioso quando Jesus se revela assim, no sacrifício que fizeram por amor. Não me canso de dizer que foi uma semana muito bonita a viver em comunidade. E foi também na ida ao Pulo do Lobo que com a Aurora e a Inês e ainda a kuka e Inês, gritámos:
AQUI VOU SER FELIZ!
Foi estar com pessoas tão gigantes por dentro durante esta semana, foi maravilhoso.
[Ainda estão por registar os dias na Póvoa e a semana com a Jola]....

1 comentário:
És, sem dúvida, inspiradora.
Obrigada por me fazeres repensar "desacorrentar" a semente que a minha educação manteve inerte.
Obrigada.
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