18 setembro 2007

da semana diferente

Lisboa, 9 de Setembro de 2007

Querido Jesus,

Só Tu sabes como estar próxima, ainda me espanta e me enternece… ser assim intima de Ti. Escolheste-me para Te ser próxima, para me deixar aproximar…

Tira as sandálias! Escuta! – Dizes-me Tu bem alto e sem rodeios.

O que me pedes é simples, mas tão difícil.

O mundo grita por outros lados, com tantos atractivos que nos levam a sermos anónimos dos outros… a sermos anónimos dos nossos próximos.

Foi voltar a reconhecer-Te, nestes olhares que gritam Amor. E ver que os vestígios de outra semana desvanecida no tempo, criou pontes com estes amigos.

Nada é novidade e isso permite-me poder demorar-me em cada gesto. Saborear cada sorriso, deliciar-me com cada abraço. Mas também me lembro de como estava cansada, de como também isso me impediu de me dar na totalidade.

Agradeço-Te por todos os missionários que Te testemunham. Fiquei deliciada quando Te vi tão intensamente nas palavras de um irmão que te levou para longe, ensinando-me que “respeitar os pobres” é a chave para os amar. Que se nos apaixonarmos por Cristo e consequentemente pelo próximo, esse é um amor que nos transforma, e nos leva a querer amar, amar e amar….

Receber-Te depois em mim, numa eucaristia tão bonita, fez-me pensar que sou responsável por Ti, por Te levar a quem de Ti tem fome. Entreguei-Te os meus medos e fragilidades, e tenho a certeza que os transformarás em algo belo e bonito.

Pai… sabes o quanto me é difícil amar-Te e acreditar em Ti.

Nesta semana tentei ser pequenina, criando pontes, fazer-me próxima, fazer comunidade, ser igreja… Foi ver que “Nossa Senhora está feliz” (dizia uma criança no terço) e que juntos, Maria e Jesus sorriam muito naquela semana quando transformávamos olhares tristes em sorrisos. É assim... Cristo transforma-nos e dá-nos uma vida diferente.

Foi também, durante esta semana, que tomei consciência de um povo lá longe, que querem fazer desaparecer… “Ninguém pode culpar Deus desta situação”, mas os homens também não podem ficar calados perante ela. Aquele povo está mudo, mas clama por Amor… por Vida…

Obrigada amigo, por me levares de férias contigo e por construíres comigo esta cumplicidade, por me abraçares….

Gosto de Ti

Lúcia

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