estive dividida entre sim, nãos e talvez!
Milhares de perguntas se formavam na minha cabeça!
Quantos abortos clandestinos? Quantas e quantas mulheres que com abortos mal feitos, ficaram mal? Despenalizar? Mas nenhuma mulher foi presa?! É certo que depois de tudo o que passou o nome dela andar por aí, não é fácil, nem é isso que se pretende?! Onde é quando será feito o aborto?! Iria a passar a ser feito nos nossos sistemas de saúde deficientes, onde o governo também não teria capacidade de controlar?! Totalmente comparticipado pelo estado! Fecham-se maternidades por causa da falta de dinheiro mas para tirar a vida de uma criança indesejada o dinheiro já chega... Também não quero que o aborto clandestino continue. Mas é certo que mesmo que a lei que vai para a frente também não vai fazer com que acabe. Vai diminuir o aborto clandestino(espero, acho).
Pela vida, somos todos é certo... Pela vida também da mulher. Mas tirar logo cedo essa vida... porque não temos estrutura familiar para isso, porque foi um acidente, por uma série de motivos que eu não consigo imaginar. Porque quer ser mãe voluntária! A lei que temos não serve! Também não acho justo, que as mulheres que façam abortos nas condições contempladas na lei, não sejam bem tratadas e humilhadas.
Mas a meu ver o sim não é solução, não vai acabar com o problema da falta de assiduidade nas consultas de planeamento familiar, não vai acabar com as aulas-tanga de educação sexual. Não vai acabar com a falta de informação ou com a deficiência com que é transmitida. Não vai acabar com o aborto clandestino! O que se verifica é que sempre que é despenalizado ou liberalizado o número de abortos aumenta! É certo que antes também não havia maneira de contabilizar.
E quem decide o futuro daqueles homens/mulheres que estavam para nascer?!
Há quem não ache mas abortar é crime, é matar um ser vivo!
O não também implica mudança... Um não, que também quer despenalizar o aborto mas não o quer tornar banal. Um não, contra a desresponsabilização...
Um não, que não pretende penalizar as mulheres com prisão, mas que quando tomada essa opção, a mulher teria de ser responsabilizada e recorrer a psicólogos, consultas de planeamento familiar, etc.
Um não, que quer pessoas mais responsáveis e conscientes dos seus actos! Um não que apoia quem quer fazer um aborto e lhe mostra outras opções!)
Um não, que é contra o aborto e a favor da vida! A vida das milhares de crianças que não nasceram...
Sei lá eu... as dificuldades pelas quais todas as mulheres que já abortaram passaram, não é fácil...Fico a pensar vivem na miséria, mas também são capazes de serem felizes como as crianças que amo naquele bairro! Mas é um não implica uma mudança na nossa sociedade...(Talvez seja demasiado utópica) Uma sociedade mais humana...Uma sociedade informada, formada e com condições. Uma sociedade pelo o dom da vida... E não com leis que facilitam a morte.
O Papa João Paulo II dizia numa carta ao arcebispo de Boston, aquando os 25 anos do aborto legalizado nos E.U.A.:
" Como a experiência dos últimos vinte e cinco anos demonstrou, o aborto legalizado tem constituído uma força destruidora na vida de inúmeras pessoas, de forma especial das mulheres que com frequência devem enfrentar sozinhas os profundos sofrimento e arrependimento, a seguir à decisão de destruir a vida de um nascituro. Além disso, a proliferação dos abortos provocados tem tido efeitos deletérios também na sociedade em geral, sobretudo no debilitamento do respeito pela vida das pessoas idosas e enfermas, e no aviltamento do sentido moral. Quando a morte dos inocentes é sancionada pela lei, a distinção entre o bem e o mal obscurece-se, e a sociedade tende a justificar até mesmo procedimentos claramente imorais, como o aborto com nascimento parcial. (...) é um sinal positivo dos tempos o facto de, mediante os esforços de uma grande variedade de cidadãos solícitos, se ter verificado uma crescente mobilização das consciências em prol da vida. Como parte desta importante afirmação do Evangelho da vida, exorto-vos a dar continuidade aos vossos louváveis esforços por educar as pessoas acerca do mal do aborto, a oferecer conselhos, encorajamento e auxílio às mulheres e às famílias que se encontram em situações de dificuldade, e a prosseguir na busca da plena salvaguarda legal dos nascituros.
Exorto de maneira especial os jovens e as jovens a empenharem-se nesta grande campanha em defesa do dom divino da vida. Vós sois um sinal de esperança para a Igreja e o mundo. Não vos desencorajeis e não tenhais medo!"

4 comentários:
tu és um desses sinais de esperança para a igreja e pelo mundo... força fala, grita pelo que acreditas... a duvida depois de esclarecida torna-nos mais forte aproveita isso :)
estou contigo … PELA VIDA
e nas duvidas também... foi bom partilhar contigo esta descoberta
Eu voto não sem qualquer dúvida.E deixo aqui um comentário que fiz a propósito deste tema num outro blog: "E que tal um pouco mais de responsabilidade? É que independentemente de ganhar o sim ou o não, continuamos a não ter informação e educação sexual. Quantos jovens fazem planeamento familiar? Parece-me que enquanto este tipo de situações (entre outras) não forem acauteladas, o aborto será sempre um assunto mal resolvido." E, concordando contigo, parece-me que o não apresenta uma proposta bem sensata ao apresentar soluções alternativas para quem aborta, ao invés da prisão e humilhação.
Abraço
é tão bom esconder um problema. longe da vista, longa do coração.
Continuo sem compreender essa relação entre a lei e as aulas de educação sexual. Mas se serve para dormir de consciência tranquila, força! É bom preenchermo-nos com boas intenções, mesmo que elas não melhorem as condições de vida dos outros.
E qual é o significado das vidas de crianças abandonadas, mal-tratadas, mal-nutridas, mal-formadas e mal educadas por causa da falta de condições económicas e sociais dos pais, por falta de estrutura familiar? O que dizemos às crianças que nascem em familias endinheiradas mas são psicologicamente excluídos por falta de amor, falta de afecto, falta de um pai e de uma mãe que os amem e lhes ensinem as coisas boas da vida? O que dizemos aos milhares de crianças que crescem em lares, que desconhecem o amor de uma familia, que vivem nas ruas?
Não sou a favor do aborto, mas prefiro-o legalizado e acessível a quem dele necessitar do que pensar no sofrimento dos que nascem sem serem desejados. Não fico de consciência tranquila, mas tenho a consciência ainda mais pesada ao pensar nos que sofrem sem saber sequer o porquê.
Não sejamos ingénuos, aqueles que têm dinheiro para tal, não irão certamente recorrer aos hospitais estatais, mas irão continuar a frequentar as clínocas privadas, onde o anonimato pode continuar a esconder a sua vergonha.
Sim, às 10 semanas o feto já tem actividade visível, e qualquer um se enternece ao ver uma ecografia nesta altura. Não será também de pensar no que vai acontecer e quem vai amar e cuidar daquele ser pequenino quando crescer?
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