"- Sabes, Matilde, andar sempre com isso no ouvidos faz-te mal, para além de te tornar antisocial.
- Mas mãe desde quando é que eu fui social? Diz me quantos anos passaste a ir ao cinema comigo, porque mais ninguém o fazia? Porque pegavas em mim quando saía da escola e me levavas ao cabo da roca para ver o mar? Porque faziamos viagens caladas, e me deixavas andar com a minha cara de porta, compreendendo que era apenas o meu modo de estar e não chatear? Certamente seria porque foram os anos mais solitários da minha vida. Porque ainda hoje muitas vezes me apetece sair sozinha e não ter que falar com ninguém, sem ter que explicar o que quer seja. De ser invisível como tantas vezes o fui e ficar a ler os meus livros nos intervalos.
Por isso hoje deixa-me a mim e ao meio feitio de porta blindada."
in Razão do Vazio...
(Diana)
19 novembro 2006
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2 comentários:
por vezes a solidão é um exercício de egoísmo. outras é uma dura inerência de uma realidade em particular...
...às vezes, simplesmente, sabe bem. e nem sabemos porquê.
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